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 : Octubre 22, 2017, 01:14:16  
Iniciado por HENRIQUE MENDES - Último mensaje por HENRIQUE MENDES
Lo amé, lo puedo imaginar todo atorrante y simpático!!!

Qué bello recuerdo del amigo que estuvo a tu lado en las buenas y en las malas.

Gracias por escribir su historia, Henrique. La he disfrutado
 

La historia no le hace justicia. Fue un increíble compañero siempre, mismo en horas malas, cuando pasamos hambre juntos. pero progresamos juntos también y así quedamos hasta tenermos de decir adiós. Un abrazo, Leonor Aguilar. Sé que entiendes el tremendo intercambio emocional con un compañero de vida así.Saludos
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 2 
 : Octubre 22, 2017, 07:34:17  
Iniciado por HENRIQUE MENDES - Último mensaje por Leonor Aguilar
Lo amé, lo puedo imaginar todo atorrante y simpático!!!

Qué bello recuerdo del amigo que estuvo a tu lado en las buenas y en las malas.

Gracias por escribir su historia, Henrique. La he disfrutado
 
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 3 
 : Octubre 22, 2017, 06:12:49  
Iniciado por HENRIQUE MENDES - Último mensaje por HENRIQUE MENDES



Pede-me Leonor para falar de um dos meus cães. Imediatamente me veio à cabeça o Pipocas, mas como falar dele ? O seu diminuitivo era Pocas, e fomos inseparáveis desde o dia em que nos conhecemos numa petshop.

Na loja havia havia um pequeno recinto onde brincavam uns doze cachorrinhos cocker spaniel. Divertido com as suas travessuras, baixei-me para acariciar alguns deles. Quando me levantei, um deles veio pendurado na minha gravata e recusava-se a largá-la. Era o Pocas. Preto, barrigudinho, com uma pequena mancha branca no peito.

Enquanto o comprava descobri que tinha um longo pedigree, e que se chamava realmente Kodak, mas isso eram apenas detalhes de um acontecimento maior: -Tinhamo-nos conhecido e agora ele era meu. Pelo menos, isso era o que eu achava.
 
Mas óbviamente ele tinha algo a dizer sobre o assunto e, logo nesses primeiros momentos, ficou claro que ele achava que eu que agora lhe pertencia, para ter e cuidar. E, talvez para marcar bem o seu ponto de vista, foi todo o caminho até casa sentado no meu colo, enquanto eu dirigia o carro - meio pendurado, mas sem me soltar  a gravata.

Depois, quando chegamos e o coloquei no chão da sala, finalmente soltou-me. Mas foi apenas para avançar rosnando e correndo de lado, muito trapalhão, sobre a Estrelinha, uma cocker spaniel dourada já quase adulta, com uma estrela branca na testa,  que, surpreendida por se ver assim atacada por aquela ínfima criatura, fugiu.

Então ele deu-se por satisfeito e regressou para o meu colo com aquele ar muito orgulhoso de quem tinha afastado um inimigo. Claro que voltou a  abocanhar a minha gravata que, nessa altura, já estava toda marcada dos seus dentes afiadíssimos. Acabei por oferecer-lha, e ele corria por todo o lado arrastando-a atrás de si, brincando, tropeçando nela e caindo, mas sem nunca a soltar.

Pouco depois, entendeu que a Estrelinha não era inimiga nem representava  nenhum perigo para mim. Tornaram-se grandes amigos, e logo nessa primeira noite ele já dormiu enroscado entre as patas dela. Com a minha gravata na boca, evidentemente.

Como o Pocas era muito pequenino e sempre perseguia os atacadores dos meus sapatos, eu receava pisá-lo. Então coloquei-lhe ao pescoço um pequeno guizo que ia sinalizando a sua posição. Graças a isso percebi que ele ia várias vezes por noite ao meu quarto apenas para ver se eu estava bem. Eu acordava com o ruido do guizo e lá estava ele, sentado nos quartos traseiros como se fosse um cão adulto, olhando-me com toda a atenção. Depois voltava para a cama da Estrelinha. A dele, nunca a usou.

Os anos passaram, e o Pocas cresceu. Não foi preciso ensinar-lhe nada, a Estrelinha encarregou-se disso. Não subia para os sofás, não fazia barulho dentro de casa, e buscava o canto certo do jardim para fazer as suas necessidades.  

Ele e a Estrelinha tiveram uma linda ninhada de sete crias, uns pretos como ele, outros dourados como ela. Todos lindos, barrigudinhos e saudáveis, com uma energia e uma curiosidade avassaladoras. O Pipocas revelou-se um pai formidável, com uma paciência a toda a prova e sempre vigilante. Lembro como não os deixava aproximarem-se da piscina, empurrando-os para trás com o focinho.

Como a casa tinha sido construída em socalcos, havia várias escadas dentro e fora, no jardim. Isso era um problema para os bébés, claro. Por isso o Pocas agarrava-os pela pele do pescoço e levava-os, um a um, escadas acima e escadas abaixo, sempre que era necessário. Foi assim até eles conseguirem fazê-lo sozinhos. Demorou!

Com o passar dos anos, atravessámos juntos um divórcio. A Estrelinha  ficou com a dona, e nós dois buscámos outros ares. Daí em diante, ele passava muito tempo dentro do meu carro, acompanhando-me enquanto eu visitava clientes, numa permanente busca por sombras onde estacionar.

Ia-mos juntos ao café onde, logo de manhã, eu tomava a primeira refeição do dia em pé, de frente para o balcão. Ao meu lado, sentado sobre as patas traseiras, o Pocas copiava os meus gestos, e ficava olhando os bolos através do vidro. Acabámos descobrindo um bolo de arroz, quase sem açucar, que o dono do café passou a trazer para ele tal como trazia para mim as coisas que eu costumava comer: sem perguntar. Ele comia duma vez só, quase sem mastigar, e continuava olhando o balcão. Os outros clientes viam e achavam graça.

Aos poucos tornámo-nos conhecidos, ali e na praia, onde o Pocas se especializou em abordar as moças que apanhavam sol deitadas de barriga para baixo. Normalmente estavam sem a parte de cima do bikini, que tinham tirado e deixado sobre a toalha, ali do lado.  O Pipocas aproximava-se com aquele ar de quem quer meter conversa, simpátio, deixava-se acariciar sem problemas, e ainda ganhava umas batatinhas fritas de vez em quando. Depois,  quando faltavam as batatas ou quando ele achava que estava na hora, abocanhava o pedaço do bikini e fugia para junto de mim.

Um amigo meu, que costumava estar presente, ria-se e elogiava " Good- boy!", enquanto o coçava detrás das orelhas, como ele gostava. Não sei se foi isso que o incentivou, mas era muito frequente  a presença de moças embrulhadas em toalhas, reclamando enquanto apanhavam o biquini todo enrolado e cheio de areia, parecendo um croquete.

Todos os meus amigos adoravam o Pocas por causa das moças que ele trazia até junto de nós, mas elas também. Claro que lhe davam restinhos de sorvete, e ele adorava o pessoal todo.

Quando mais tarde voltei a casar, morava em apartamento. Receei que ele se tornasse demasiado cioso do espaço e não acolhesse bem a nova dona, que nao estava habituada a ter cão dentro de casa. Mas, ao contrário, ele rápidamente arranjou uma forma de se deitar sobre os pés dela ( e não mais os meus...) trazendo com ele uma bola de borracha rosa pink que ela lhe tinha oferecido algum tempo antes. Depois disso, passou a ser ali o lugar habitual dele dormitar enquanto viamos televisão.

Adoptou de tal maneira a nova dona que durante uma semana em que ela esteve doente, ele deitou-se no quarto, perto da cama, e deixou de comer, desanimado e desgostoso. Aos poucos, recuperaram ambos.

Mas aos poucos o tempo passou. O Pocas começou a não ser capaz de saltar sozinho para dentro do carro, depois começou  a não me acompanhar, quando eu me movimentava dentro de casa. Por fim começou a ficar parado em pé, arquejando. O seu coração fraquejou, com a idade, e não houve o que fazer. A morte aproximou-se a passos largos, rápidamente.

Por fim, tivemos de dizer adeus, num momento pungente em que ele foi pesando nos meus braços até chegar ao fim. Escolhi para ele um lugar que eu sei que seria do seu agrado, bonito e inacessível, junto das ruínas duma ponte antiga, que ficou entre auto-estradas.  Sempre que passo de carro consigo ver de longe, por um instante, flores e borboletas, e passarinhos brincando em liberdade.



2017
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 4 
 : Octubre 22, 2017, 05:57:58  
Iniciado por HENRIQUE MENDES - Último mensaje por HENRIQUE MENDES



Pede-me Leonor para falar de um dos meus cães. Imediatamente me veio à cabeça o Pipocas, mas como falar dele ? O seu diminuitivo era Pocas, e fomos inseparáveis desde o dia em que nos conhecemos numa petshop.

Na loja havia havia um pequeno recinto onde brincavam uns doze cachorrinhos cocker spaniel. Divertido com as suas travessuras, baixei-me para acariciá-los. Quando me levantei, um deles veio pendurado na minha gravata e recusava-se a largá-la. Era o Pocas. Preto, barrigudinho, com uma pequena mancha branca no peito.

Enquanto o comprava descobri que tinha um longo pedigree, e que se chamava realmente Kodak, mas isso eram apenas detalhes de um acontecimento maior: -Tinhamo-nos conhecido e agora ele era meu. Pelo menos, isso era o que eu achava.
 
Mas óbviamente ele tinha algo a dizer sobre o assunto e, logo nesses primeiros momentos, ficou claro que ele achava que eu que agora lhe pertencia, para ter e cuidar. E, talvez para marcar bem o seu ponto de vista, foi todo o caminho até casa sentado no meu colo, enquanto eu dirigia o carro - meio pendurado, mas sem me soltar  a gravata.

Depois, quando chegamos e o coloquei no chão da sala, finalmente soltou-me. Mas foi apenas para avançar rosnando e correndo de lado, muito trapalhão, sobre a Estrelinha, uma cocker spaniel dourada já quase adulta, com uma estrela branca na testa,  que, surpreendida por se ver assim atacada por aquela ínfima criatura, fugiu.

Então ele deu-se por satisfeito e regressou para o meu colo com aquele ar muito orgulhoso de quem tinha afastado um inimigo. Claro que voltou a  abocanhar a minha gravata que, nessa altura, já estava toda marcada dos seus dentes afiadíssimos. Acabei por oferecer-lha, e ele corria por todo o lado arrastando-a atrás de si, brincando, tropeçando nela e caindo, mas sem nunca a soltar.

Rápidamente entendeu que a Estrelinha não era inimiga nem representava  nenhum perigo para mim. Tornaram-se grandes amigos, e logo nessa primeira noite ele já dormiu enroscado entre as patas dela. Com a minha gravata na boca, evidentemente.

Como o Pocas era muito pequenino e sempre perseguia os atacadores dos meus sapatos, eu receava pisá-lo. Então coloquei-lhe ao pescoço um pequeno guizo que ia sinalizando a sua posição. Graças a isso percebi que ele ia várias vezes por noite ao meu quarto apenas para ver se eu estava bem. Eu acordava com o ruido do guizo e lá estava ele, sentado nos quartos traseiros como se fosse um cão adulto, olhando-me com toda a atenção. Depois voltava para a cama da Estrelinha. A dele, nunca a usou.

Os anos passaram, e o Pocas cresceu. Não foi preciso ensinar-lhe nada, a Estrelinha encarregou-se disso. Não subia para os sofás, não fazia barulho dentro de casa, e buscava o canto certo do jardim para fazer as suas necessidades.  Creio que nunca ladrou a ninguém, excepto quando ficava no carro e entrava em modo de cão de guarda. Nessa altura, se alguém se aproximava demais, ou se mexia no carro, ele transformava-se numa fera, com os dentes muito grandes e muito brancos batendo nos vidros do carro - e era realmente intimidante.

Ele e a Estrelinha tiveram uma linda ninhada de sete crias, uns pretos como ele, outros dourados como ela. Todos lindos, barrigudinhos e saudáveis, com uma energia e uma curiosidade avassaladoras. O Pipocas revelou-se um pai formidável, com uma paciência a toda a prova.

Como a casa tinha sido construída em socalcos, havia várias escadas dentro e fora, no jardim. Isso era um problema para os bébés, claro. Por isso o Pocas agarrava-os pela pele do pescoço e levava-os, um a um, escadas acima e escadas abaixo, sempre que era necessário. Foi assim até eles conseguirem fazê-lo sozinhos. Demorou!

Com o passar dos anos, atravessámos juntos um divórcio. A Estrelinha  ficou com a dona, e nós dois buscámos outros ares. Daí em diante, ele passava muito tempo dentro do meu carro, acompanhando-me enquanto eu visitava clientes, numa permanente busca por sombras onde estacionar.

Também ia-mos juntos ao café onde, logo de manhã, eu tomava a primeira refeição do dia em pé, de frente para o balcão. Ao meu lado, sentado sobre as patas traseiras, o Pocas copiava os meus gestos, e ficava olhando os bolos através do vidro. Acabámos descobrindo um bolo de arroz, quase sem açucar, que o dono do café passou a trazer para ele tal como trazia para mim as coisas que eu costumava comer: sem perguntar. Ele comia duma vez só, quase sem mastigar, e continuava olhando o balcão, compenetrado e tranquilo.Os outros clientes viam e achavam graça. Diziam que éramos iguaizinhos.

Aos poucos tornámo-nos conhecidos, ali e na praia, onde o Pocas se especializou em abordar as moças que apanhavam sol deitadas de barriga para baixo. Normalmente estavam sem a parte de cima do bikini, que tinham tirado e deixado sobre a toalha, ali do lado.  O Pipocas aproximava-se com aquele ar de quem quer meter conversa, simpático, deixava-se acariciar sem problemas, e ainda ganhava umas batatinhas fritas de vez em quando. Depois,  quando faltavam as batatas ou quando ele achava que estava na hora, abocanhava o pedaço do bikini e fugia para junto de mim.

Um amigo meu, que costumava estar presente, ria-se e elogiava-o: " Good- boy!", dizia enquanto o coçava detrás das orelhas, como ele gostava. Não sei se foi isso que o incentivou, mas era muito frequente  a presença de moças embrulhadas em toalhas, reclamando enquanto apanhavam o biquini todo enrolado e cheio de areia, parecendo um croquete.

Todos os meus amigos adoravam o Pocas por causa das moças que ele trazia até junto de nós, mas elas também. Claro que lhe davam restinhos de sorvete, e ele adorava o pessoal todo. A propósito de sorvete, lembro das vezes que, correndo os olhos pela praia, fui encontrar o Pocas sentado em frente a uma criança, comendo o sorvete a meias com ela. Mas educadamente, que é que julgam ??  Agora lambes tú, agora lambo eu! Não roubava o sorvete das criancinhas nunca. Claro que os pais, normalmente, quando se apercebiam do que se passava, compravam outro sorvete para os seus filhos e deixavam o primeiro para o Pocas comer sozinho. E nessa altura sim, quando percebia que era só para ele hesitava um pouquinho e depois comia tudo de uma só vez.

Quando mais tarde voltei a casar, morava em apartamento. Receei que ele se tornasse demasiado cioso do espaço e não acolhesse bem a nova dona, que nao estava habituada a ter cão dentro de casa. Mas, ao contrário, ele rápidamente arranjou uma forma de se deitar sobre os pés dela ( e não mais os meus...) trazendo com ele uma bola de borracha rosa pink que ela lhe tinha oferecido algum tempo antes. Depois disso, passou a ser ali o lugar habitual dele dormitar enquanto viamos televisão.

Adoptou de tal maneira a nova dona que durante uma semana em que ela esteve doente, ele deitou-se no quarto, perto da cama, e deixou de comer, desanimado e desgostoso. Aos poucos, recuperaram ambos.

Mas aos poucos o tempo passou. O Pocas começou a não ser capaz de saltar sozinho para dentro do carro, depois começou  a não me acompanhar, quando eu me movimentava dentro de casa. Por fim começou a ficar parado em pé, arquejando. O seu coração fraquejou, com a idade, e não houve o que fazer. A morte aproximou-se a passos largos, rápidamente.

Por fim, tivemos de dizer adeus, num momento pungente em que ele foi pesando nos meus braços até chegar ao fim. Escolhi para ele um lugar que eu sei que seria do seu agrado, bonito e inacessível, junto das ruínas duma ponte antiga, que ficou parada no tempo, entre auto-estradas.  Sempre que passo de carro consigo ver de longe, por um instante, flores e borboletas, e passarinhos brincando em liberdade, e torna-se fácil imaginá-lo brincando por ali com uma velha gravata na boca.



2017
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 5 
 : Octubre 18, 2017, 11:38:24  
Iniciado por Soraya Souto - Último mensaje por Soraya Souto
Ontem, caminhando pela praia, encontrei o Poeta.
Ele vinha devagar, deixando que vento agitasse seus cabelos e a areia brincasse com seus pés descalços.
Não sorriu, mas aceitou minha mão e seguimos juntos, dedos entrelaçados, caminhando lado a lado, dividindo aquele fim de tarde de céu rubro e brisa fresca.
Meu coração batia acelerado, pressentindo toda a agitação interior que ele trazia consigo.
Quando as estrelas chegaram, deitamo-nos na areia úmida para admirá-las. Acima do som do mar, ouvi a sua voz:
_ Já não consigo escrever sobre as estrelas, nem decifrá-las, por isso não consigo acrescentar nada às noites escuras e solitárias. Passo os dias à espera delas, mas quando a noite chega apenas a angústia toma o meu coração. São tantas, e tão diferentes entre si, que minha escrita já não consegue dar-lhes voz.
_ Então vamos ficar aqui – respondi – sob esse céu, saciados apenas com a visão que elas oferecem.
Ali, no silencio, senti que as ondas chegavam, tocando de leve nossos pés. Seu riso fraco chegou aos meus ouvidos.
_ Quando eu era criança- disse -  fitava o céu à espera que uma estrela cadente cruzasse e realizasse meus pedidos. Fiz tantos, e grande parte realmente se concretizou.
_ Acredita então nas estrelas, Poeta?
Ele não respondeu de imediato, e quando falou tinha os olhos brilhantes e vidrados.
_Acredito nas estrelas e nos sonhos que elas guardam. Na esperança que os corações têm de atingi-las, e também na infinita distância de onde me observam.
Um tremor percorreu sua mão. Apertei mais forte seus dedos, lembrando-lhe que estávamos juntos, e eu sempre o apoiaria. O Poeta nunca me pareceu tão frágil, por isso tentei encontrar as palavras certas para aquela conversa.
_E por que precisa tanto delas?
_Para descrever a luz quando o mar se aproxima, e o reflexo que faz brilhar a areia da praia. Sem elas não se vê o arrepiar na pele, provocado pela brisa, ou o amor refletido no olhar do amante que espera. Sem elas meus versos ficam presos à terra, sem sonhos nem voos.
Virei-me para fitá-lo, e percebi as lágrimas que corriam pelo rosto tenso. Me ocorreu que elas também vinham em ondas, como aquele mar.
Senti um frio percorrer minha pele até à garganta, impedindo minha voz. Me faltaram palavras perante aquela dor.
Alí perto soaram acordes de um violão, e minutos depois uma voz iniciou uma canção. Era uma balada de amor, vinda de uma das casas ao longo da praia, e por alguns momentos ficamos ambos a ouvi-la, quietos e pensativos.
Ao final, ele voltou a falar.
_ Até mesmo a música precisa das mensagens das estrelas, percebe? Sem a poesia os corações padecem e se tornam infecundos...
Era possível perceber as aflições do espírito que faziam com que ele respirasse forte, como um gemido surdo.
Foi então que nossos dedos se soltaram, e o Poeta se levantou.
 Não disse adeus, apenas me fitou com a ternura com que os poetas trazem nos olhos, e partiu sem olhar para trás.
Vi seu vulto afastar-se e lamentei a solidão que agora nós dois sentíamos, mas que não podíamos evitar. Ele tinha uma angústia dolorosa, difícil de descrever e, incapaz de suportá-la, perdoei sua partida.
Ao vê-lo já longe, pensei no preço que pagamos por não sermos apenas um, mas sim todos os que somos capazes de viver e interpretar. Uma eterna luta que atormenta aqueles que leem as estrelas ou escutam as ondas do mar.
As suas palavras marcaram meu coração com a mesma força, e da mesma forma com que a poesia sempre costuma fazer, em noites como aquela.


Soraya Souto
outubro de 2017

 6 
 : Octubre 15, 2017, 01:12:10  
Iniciado por jorge sierra - Último mensaje por Leonor Aguilar
¡Que no emigre ni la busque! ¡Va a aparecer cuando menos lo espere!

Un placer, querido amigo. ¡Abrazo!

 7 
 : Octubre 15, 2017, 01:04:44  
Iniciado por jorge sierra - Último mensaje por jorge sierra
Tengo un nidito de amor
y lo deseo compartir,
con quien no tenga temor
ni piense hacerme sufrir.

Mi nido fue construido
pensando en bella mujer,
que nunca me eche al olvido
y me entregue su querer.

 8 
 : Octubre 15, 2017, 12:44:44  
Iniciado por jorge sierra - Último mensaje por jorge sierra
Me voy muy lejos de aquí
y aún no sé ni adonde iré,
tampoco si volveré,
al lugar donde nací.

He decidido  emigrar
para poder encontrar
a esa mujer que a mi vida
solo la ha hecho soñar.

Soñar en que siempre juntos
habremos de recorrer,
los caminos de este mundo,
que inhóspitos suelen ser.

 9 
 : Octubre 15, 2017, 12:09:55  
Iniciado por jorge sierra - Último mensaje por jorge sierra
Celoso miro al rosal
al jazmín y a las gardenias
cuando al mirarte pasar
tu luces, como una reina

Que con tan sutil encanto
presumes de tu belleza
y de esa enorme grandeza
que en ti se da paso paso

Más de pronto aquel rosal
eclosionó enormes rosas,
que jubilosas y hermosas
se postraron ante ti.

Yo al presenciar todo aquello
solo me dio por decir:
¡ Dios mío !
tengo ante mi lo más bello
que he mirado en mi existir.

Lleva por nombre Lupita
y un encanto es de mujer,
para mi es la más bonita
y dueña es de mi querer.

 10 
 : Octubre 15, 2017, 11:40:23  
Iniciado por jorge sierra - Último mensaje por jorge sierra
Te agradezco preciosa amiga Leonor el gran favor que le diste a mi llamado. Recibe un fuerte abrazo acompañado del más amistoso de los besos.

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