Deprecated: preg_replace(): The /e modifier is deprecated, use preg_replace_callback instead in /home/ateop927/public_html/smf/Sources/Load.php(225) : runtime-created function on line 3
Encontrei o Poeta
Bienvenido(a), Visitante. Por favor, ingresa o regístrate.

Ingresar con nombre de usuario, contraseña y duración de la sesión
NotiCentro: Para registrarte escribe a registro@poetastrabajando.com
con nombre de usuario y dirección de e-mail
Páginas: [1]   Ir Abajo
  Imprimir  
Autor Tema: Encontrei o Poeta  (Leído 435 veces)
0 Usuarios y 1 Visitante están viendo este tema.
Soraya Souto
Pluma UVA
***

Karma: +0/-0
Desconectado Desconectado

Sexo: Femenino
Mensajes: 86



« : Octubre 18, 2017, 11:38:24 »

Ontem, caminhando pela praia, encontrei o Poeta.
Ele vinha devagar, deixando que vento agitasse seus cabelos e a areia brincasse com seus pés descalços.
Não sorriu, mas aceitou minha mão e seguimos juntos, dedos entrelaçados, caminhando lado a lado, dividindo aquele fim de tarde de céu rubro e brisa fresca.
Meu coração batia acelerado, pressentindo toda a agitação interior que ele trazia consigo.
Quando as estrelas chegaram, deitamo-nos na areia úmida para admirá-las. Acima do som do mar, ouvi a sua voz:
_ Já não consigo escrever sobre as estrelas, nem decifrá-las, por isso não consigo acrescentar nada às noites escuras e solitárias. Passo os dias à espera delas, mas quando a noite chega apenas a angústia toma o meu coração. São tantas, e tão diferentes entre si, que minha escrita já não consegue dar-lhes voz.
_ Então vamos ficar aqui – respondi – sob esse céu, saciados apenas com a visão que elas oferecem.
Ali, no silencio, senti que as ondas chegavam, tocando de leve nossos pés. Seu riso fraco chegou aos meus ouvidos.
_ Quando eu era criança- disse -  fitava o céu à espera que uma estrela cadente cruzasse e realizasse meus pedidos. Fiz tantos, e grande parte realmente se concretizou.
_ Acredita então nas estrelas, Poeta?
Ele não respondeu de imediato, e quando falou tinha os olhos brilhantes e vidrados.
_Acredito nas estrelas e nos sonhos que elas guardam. Na esperança que os corações têm de atingi-las, e também na infinita distância de onde me observam.
Um tremor percorreu sua mão. Apertei mais forte seus dedos, lembrando-lhe que estávamos juntos, e eu sempre o apoiaria. O Poeta nunca me pareceu tão frágil, por isso tentei encontrar as palavras certas para aquela conversa.
_E por que precisa tanto delas?
_Para descrever a luz quando o mar se aproxima, e o reflexo que faz brilhar a areia da praia. Sem elas não se vê o arrepiar na pele, provocado pela brisa, ou o amor refletido no olhar do amante que espera. Sem elas meus versos ficam presos à terra, sem sonhos nem voos.
Virei-me para fitá-lo, e percebi as lágrimas que corriam pelo rosto tenso. Me ocorreu que elas também vinham em ondas, como aquele mar.
Senti um frio percorrer minha pele até à garganta, impedindo minha voz. Me faltaram palavras perante aquela dor.
Alí perto soaram acordes de um violão, e minutos depois uma voz iniciou uma canção. Era uma balada de amor, vinda de uma das casas ao longo da praia, e por alguns momentos ficamos ambos a ouvi-la, quietos e pensativos.
Ao final, ele voltou a falar.
_ Até mesmo a música precisa das mensagens das estrelas, percebe? Sem a poesia os corações padecem e se tornam infecundos...
Era possível perceber as aflições do espírito que faziam com que ele respirasse forte, como um gemido surdo.
Foi então que nossos dedos se soltaram, e o Poeta se levantou.
 Não disse adeus, apenas me fitou com a ternura com que os poetas trazem nos olhos, e partiu sem olhar para trás.
Vi seu vulto afastar-se e lamentei a solidão que agora nós dois sentíamos, mas que não podíamos evitar. Ele tinha uma angústia dolorosa, difícil de descrever e, incapaz de suportá-la, perdoei sua partida.
Ao vê-lo já longe, pensei no preço que pagamos por não sermos apenas um, mas sim todos os que somos capazes de viver e interpretar. Uma eterna luta que atormenta aqueles que leem as estrelas ou escutam as ondas do mar.
As suas palavras marcaram meu coração com a mesma força, e da mesma forma com que a poesia sempre costuma fazer, em noites como aquela.


Soraya Souto
outubro de 2017
En línea
HENRIQUE MENDES
Pluma CLÁSICA
******

Karma: +0/-0
Desconectado Desconectado

Sexo: Masculino
Mensajes: 878


Se leu, comente. Um comentário é um afago na alma!


WWW
« Comentar #1 : Octubre 29, 2017, 05:39:12 »


Gostei do seu Poeta. Texto singelo e muito bonito. Parabéns.
En línea
Páginas: [1]   Ir Arriba
  Imprimir  
 
Ir a:  

Impulsado por MySQL Impulsado por PHP Powered by SMF 1.1.15 | SMF © 2006-2009, Simple Machines
Red Mist Theme By Wdm2005 © 2008
XHTML 1.0 válido! CSS válido!